sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Popol Vuh – A música dos Deuses (Parte I)


Quem já assistiu a algum filme do cineasta alemão Werner Herzog, deve ter ficado impressionado com as trilhas sonoras presente neles, principalmente aqueles realizados nos anos 1970. Aguirre, Nosferatu, Fitzcaraldo e Cobra Verde, por exemplo, além de serem excelentes filmes, as músicas que os acompanham são de um exotismo e misticismo absurdo, o que sempre combinou muito com os temas de Herzog.

Herzog confiou a um único sujeito a empreitada de compor para a maioria de seus filmes, refiro-me a Florian Fricke. Músico responsável pelo lado mais místico das bandas surgidas em meio ao cenário do movimento Krautrock na Alemanha no final dos anos 1960, o Popol Vuh.

Florian Fricke pertencia ao aspecto mais eletrônico do Krautrock, tendo tanta importância quanto Klaus Schulze e Tangerine Dream naqueles tempos. Os dois primeiros álbuns do Popol Vuh – Affenstunde (1970) e In Den Gärten Pharaos (1971) – são todos compostos a partir dos sintetizadores Moog III completados por acompanhamento de percussão. Dizem que apenas Fricke e Eberhard Schoener tinham o Moog na Alemanha em 1969.

Depois das experiências com o Moog, Fricke resolve não mais usá-lo (dizem que vendeu o sintetizador para Klaus Schulze) e partiu para uma música utilizando vozes reais e instrumentos acústicos. Passou a compor ao piano, instrumento que ele estudou, e se formou em composição e regência aos 19 anos na escola de música de Friburgo.

1972 é o ano no qual o Popol Vuh aprofundava em temas religiosos e místicos, sejam cristãos, pagãos, budistas ou hinduístas. Nesta busca por uma música que toca as almas - como Florian dizia: "Popol Vuh é uma missa para o coração” – que a banda lançou o seu trabalho mais conhecido (e uma obra-prima), Hosianna Mantra.

Neste álbum entrava em cena a cantora coreana Dong Yun, Conny Veit (guitarra), Robert Eliscu (oboé), Klaus Wiese (tamboura) e Fritz Sonnleitner (violino). Músicos que acompanhariam Florian em vários trabalhos.

Hosianna Mantra é belo, pacífico, fluido e pastoral. Uma mistura de sons religiosos sem se prender a nenhum. Uma névoa mística percorre todo álbum enquanto a soprano Dong Yun sussurra em nossos ouvidos. Sublime! As letras são baseadas em um texto de Martin Buber, um filósofo judeu. O trabalho é dividido em dois lados: Mantra Hosianna e Das Buh Mose V (“O Quinto livro de Moisés”), este último é mais clássico, o que fez muitos críticos a considerar Hosianna Mantra como um dos álbuns precursores da música New Age.

Em 1973, passa a integrar ao Popol Vuh, o multiinstrumentista Daniel Fichelscher - ele se tornaria um membro colaborador de Fricke por longo tempo, deixando sua marca definitivamente na banda. Fichelscher foi também entre vários músicos dos quais Fricke resgataria da banda Amon Duul II. A estreia do músico acontece no álbum Seligpreisung, único trabalho no qual Florina Fricke canta (ele se arrependeria depois), pois a cantora Dong Yun não estava disponível à época. Ela voltaria no álbum seguinte, Einsjager & Siebenjager (1974).

Aguirre, o trabalho de 1975, teve algumas faixas na trilha sonora do filme “Aguirra, a Cólera dos Deuses”, de 1972, do alemão Werner Herzog. A faixa Aguirre é uma das canções mais conhecidas da banda e que encerrava muito bem toda beleza e majestade da banda, ou seja, um bom cartão de visita. Florian Fricke volta a utilizar o sintetizador Moog intercalando com canções acústicas.

Letze Tage – Letze Nacht (1976) foi o primeiro álbum que trouxe uma música do Popol Vuh cantada em inglês, a faixa título. O álbum também tem participação de Renata Knaup (ex-Amon Duul II), que contribuiria com outros trabalhos com a banda. Dessa época também é a trilha sonora do filme Heart of Glass (Coeur De Verre), de 1977, menos “rock” do que o álbum anterior.

A trilha sonora do filme Nosferatu (1978) é tão sombria e misteriosa quanto o filme. Algumas faixas foram aproveitadas do álbum Burder Des Schattens – Lichts Sohne Des do mesmo ano. Die Nacht Der Seele – Tantric Songs (1979) encerraria a contribuição do Popol Vuh aos anos 70 tendo Renate Knaup e Dong Yun participando nos vocais

A década de 1980 trouxe menos contribuição do Popol Vuh, tornando-se um pouco mais esporádica as gravações, ao contrário da década anterior, onde se poderia esperar um álbum todos os anos e às vezes até dois por ano. No entanto, o auto nível continuaria. É o que ouvimos em Sei Still, wisse ich Bin (1981), produzido por Klaus Schulze, que trazia um clima místico e ritualístico.

Ágape-Ágape (1983) é um dos álbuns favoritos de Fricke, dentro da discografia da banda. Rumi, o poeta persa do século 13, serviu de inspiração para o álbum. A contribuição para os filmes de Herzog prosseguiria; destaca-se Cobra Verde, filme de 1987. Florian volta ao uso de sintetizadores, principalmente o Synclavier, utilizando de uma forma mais ambiental.



quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Falando a linguagem secreta dos pássaros


Considerado por muitos como um dos melhores trabalhos solos de Ian Anderson, “The Secret Of Language Of Birds” - o terceiro álbum do líder do Jethro Tull - é um dos mais impressionantes de sua carreira. Inicialmente lançado em março de 2000, o álbum é totalmente composto por músicas acústicas "folk" bem no estilo do Jethro Tull.

Muitos fãs se queixaram por Anderson tê-lo lançado como álbum solo em vez de ser um trabalho oficial do Jethro Tull . De fato, em “The Secret Of Language Of Birds”, há participação de Andrew Giddings, que vem a ser também co-autor em várias faixas, além de tocar vários instrumentos, como também de seu velho companheiro Martin Barre e de seu filho, James Duncan.

Neste trabalho, Ian Anderson combina música celta, barroca e influência de música do Oriente Médio. Por ter este quê de música oriental, “The Secret Of Language Of Birds” é muito comparado com o álbum do Jethro Tull “J-Tull Dot Com” (1999), que também envereda nesse estilo e foi lançado na mesma época. Há quem diga que é World Music, creio não ser bem o caso. World Music costuma-se ter aquelas percussões chatas e intermináveis – por que quando se fala em World Music todo mundo pensa em percussões tribais? Diferentemente o que ouvimos em nesse trabalho são lindas canções conduzidas pela flauta de Ian Anderson levando-nos a uma viagem por várias etnias pelo mundo.

Se você curte o lado menos rock do Jethro Tull, sem guitarras elétricas, esse trabalho é uma boa pedida enquanto você fica namorando essa bela ilustração criada pelo Bogdan Zarkowski para o álbum.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Droids - Star Space (1978)


Se o Daft Punk ou Air tivessem surgidos nos anos 1970, creio que o som seria algo parecido com o Droids. Não apenas por serem franceses, mas também devido a certa similaridade. A diferente é que a maquinaria eletrônica da época não era tão avançada quanto hoje.

O Droids era formado por Fabrice Cuitad e Yves Hayat, que em 1978 lançaram um projeto de Space Electro. Inspirado no filme Star Wars, Fabrice Cuitad se empolgou com o mundo espacial e logo montou o Droids, lançando um único álbum, esse Star Peace.

Fabrice Cuitad, antes, era conhecido como gerente do selo Barclay nos anos setenta e depois fundador do Egg Records, com o qual tinha a intenção de competir com a Virgin Records.

Star Space é rico em sintetizadores Moog, Arps e Clavints. Totalmente instrumental, o álbum tem um grande som analógico e deve ser considerado um clássico da música francesa eletrônica. Ao mesmo tempo que seguiam um estilo Techno-pop, havia um sabor Disco, que deixou o álbum com mais cara de Daft Punk antes do Daft Punk surgir.

Observando o vídeo, os integrantes lembram muito mais personagens daquele seriado famoso, “Perdidos no Espaço”, da família Robinson, do que Star War.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Trenes de Juguete (2007) Bosques de mi Mente


Este disco é sobre a infância. Memórias que guardamos - consciência ou inconscientemente - em nosso ser, que muitas vezes vem à tona de formas inesperadas e sem darmos conta disso. Época em que aos olhos infantis, o mundo era diferente; tinha outras cores, outros significados. A chuva, o sol, as árvores, os sorrisos das pessoas refletiam em nosso ser de forma mais real, original, sem às várias interpretações racionais que vamos adquirindo até chegar à idade adulta.

Mas esta obra maravilhosa resgata a criança perdida dentro de nós. Sem dúvida, um álbum terapêutico. Música melancólica e minimalista.


Não tenho palavras mais para descrever o trabalho deste músico espanhol. A influência de Brian Eno, Harold Budd e Yean Tiersen é inegável, porém, creio, que o grande trunfo de Bosques de mi Mente está nesta viagem, por meio de arranjos minimalista de nos levar para dentro do nosso ser, nas memórias escondidas pelas nossas máscaras sociais.

Não apenas este trabalho quanto qualquer outro é capaz de tocar a nossa essência, a Alma adormecida que parece estar sempre nos observando, esperando um momento, em que o silêncio falar-se-á mais alto, quando aquietarmos nossas emoções transitórias, e deixá-la manifestar como à época em que éramos apenas criancinhas e víamos o belo em tudo.

Nacho faz música de forma quase sensitiva, tendo o piano clássico como instrumento condutor, as canções brotam de sua alma diretamente para os seus dedos, algumas vezes é acompanhado de violinos e sintetizadores atmosféricos e mellotrons.

É bom lembrar que ele já havia experimentado fazer álbuns apenas com instrumentos de brinquedo, bem antes dos mineiros do Pato Fu. Refiro-me ao trabalho “Innocence” que foi inspirado em “O Pequeno Príncipe” de Saint-Exupéry.

Trenes de Juguete, de 2007, é o primeiro trabalho de Nacho. Gravado com poucos recursos em sua casa, seu projeto solo, uma maneira de explorar conceitos como o minimalismo, o clímax, a atmosfera de repetição, o tempo, o silêncio, a estase, ruído, música concreta e muitos mais ...

Nacho coloca à disposição todas as suas músicas, ele pode ser distribuído, copiado, distribuído e baixado livremente e gratuitamente com licenças Creative Commons, sua gravadora.

Nas palavras do compositor: “Música é arte, uma expressão subjetiva da realidade, e, como tal, enriquece quem a ouve, então eu acho que toda expressão artística deve ser acessível a todos e ser livre" Assim seja.

sábado, 3 de setembro de 2011

Bridget St John

Bridget St John é uma cantora folk, entre tantas que apareceram no final dos anos 1960. Nascida em Londres, lançara belos álbuns entre 1969 e 1974, principalmente os dois primeiros, Ask Me No Questions (1969) e Songs for a Gentle Man (1971). De voz potente, aliás muito parecida com a cantora Nico (Velvet Underground e musa de Andy Warhol), sua música, em primeira instância, lembra muito o também cantor folk Nick Drake; o que é, sem dúvida, um grande elogio. Os três primeiros trabalhos foram lançados pelo mítico selo Dandelion, do famoso DJ John Peel. O primeiro álbum é conduzido basicamente por violão e voz, é de uma beleza sem igual. A canção que dá título ao álbum, com seus quase oito minutos, é tão linda que você nem sente o tempo passar e se esquece de si mesmo em meios a sons de pássaros.
O segundo álbum, “Songs For The Gentle Man”, Bridget enriquece sua música com inclusão de violinos, violoncelos, flautas, oboé e outros instrumentos de sopro e ainda é produzido por Ron Geesin, que ficou famoso por seus trabalhos orquestrais com o Pink Floyd. Em Thank You For..., de 1972, ela intercala canções próprias com músicas tradicionais. O quarto trabalho, antes de seu desaparecimento do cenário musical, jumblequeen (1974), saiu pela Chrisalys e foi produzido por Leo Lyons do Tem Years After e tem convidados do porte como Mike Giles (King Crimson) e Chick Churchill (Tem Years After). O nome de Bridget St John só voltaria a ser comentado quando em 1995 seus álbuns foram relançados, o que a levou a dar shows e lançar um novo álbum, Take The 5ifth.. Ela também colaborou em discos de Mike Oldfield e Kevin Ayers. Em 1999 participou de um concerto em homenagem a Nick Drake, interpretando as canções Northern Sky e One of These Things First.
Bridget St John por claudiobhte no Videolog.tv.