quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Trenes de Juguete (2007) Bosques de mi Mente


Este disco é sobre a infância. Memórias que guardamos - consciência ou inconscientemente - em nosso ser, que muitas vezes vem à tona de formas inesperadas e sem darmos conta disso. Época em que aos olhos infantis, o mundo era diferente; tinha outras cores, outros significados. A chuva, o sol, as árvores, os sorrisos das pessoas refletiam em nosso ser de forma mais real, original, sem às várias interpretações racionais que vamos adquirindo até chegar à idade adulta.

Mas esta obra maravilhosa resgata a criança perdida dentro de nós. Sem dúvida, um álbum terapêutico. Música melancólica e minimalista.


Não tenho palavras mais para descrever o trabalho deste músico espanhol. A influência de Brian Eno, Harold Budd e Yean Tiersen é inegável, porém, creio, que o grande trunfo de Bosques de mi Mente está nesta viagem, por meio de arranjos minimalista de nos levar para dentro do nosso ser, nas memórias escondidas pelas nossas máscaras sociais.

Não apenas este trabalho quanto qualquer outro é capaz de tocar a nossa essência, a Alma adormecida que parece estar sempre nos observando, esperando um momento, em que o silêncio falar-se-á mais alto, quando aquietarmos nossas emoções transitórias, e deixá-la manifestar como à época em que éramos apenas criancinhas e víamos o belo em tudo.

Nacho faz música de forma quase sensitiva, tendo o piano clássico como instrumento condutor, as canções brotam de sua alma diretamente para os seus dedos, algumas vezes é acompanhado de violinos e sintetizadores atmosféricos e mellotrons.

É bom lembrar que ele já havia experimentado fazer álbuns apenas com instrumentos de brinquedo, bem antes dos mineiros do Pato Fu. Refiro-me ao trabalho “Innocence” que foi inspirado em “O Pequeno Príncipe” de Saint-Exupéry.

Trenes de Juguete, de 2007, é o primeiro trabalho de Nacho. Gravado com poucos recursos em sua casa, seu projeto solo, uma maneira de explorar conceitos como o minimalismo, o clímax, a atmosfera de repetição, o tempo, o silêncio, a estase, ruído, música concreta e muitos mais ...

Nacho coloca à disposição todas as suas músicas, ele pode ser distribuído, copiado, distribuído e baixado livremente e gratuitamente com licenças Creative Commons, sua gravadora.

Nas palavras do compositor: “Música é arte, uma expressão subjetiva da realidade, e, como tal, enriquece quem a ouve, então eu acho que toda expressão artística deve ser acessível a todos e ser livre" Assim seja.

Um comentário:

  1. Achei a música encantadora. E seu texto fluiu suave como ela. Gosto quando vc escreve com a alma.
    Um belo post
    Beijokas
    Mary Joe

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