segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Bert Sommer, um cantor e sua época


Lembro da imagem de Bert Sommer quando aterrissou no festival de Woodstock de helicóptero tentando segurar sua respeitável cabeleira; parecia que a partir de então sua carreira iria decolar, mas nunca decolou. Em 1968, Sommer tinha lançado um belo disco folk, “Road To Travel” e só chegou a participar do Woodstock graças a um amigo influente entre os idealizadores do festival.

Bert Sommer tinha um rosto delicado e uma voz suave, o que lhe rendeu um papel no musical Hair, interpretando Woof. Sua carreira música começou em 1967, quando escreveu cinco canções para a banda Vagrants, que tinha o guitarrista Leslie West, futuro membro do The Moutain. Ele também cantou no single “Ivy Ivy”, do Left Bank.

Após o festival de Woodstock – no qual incluiu uma versão de “America” de Simon & Garfunkel e foi aplaudido de pé – Sommer assinou para quatro álbuns pela Capital Records. Ele não conseguiu fazer sucesso e acabou mudando para a Albânia onde formou o The Fabulous Newports. Bert Sommer faleceu em 1990, aos 41 anos.

Sua imagem cantando a canção "Jennifer", hoje é antológica. The Road to Travel, o álbum de 1968, é de uma beleza sem igual. Reflete bem o retrato de uma época, a qual a música era o veículo das revoluções.

sábado, 22 de outubro de 2011

Antes que o mundo os esqueça de vez: John Bassman Group


John Bassman Group foi um grupo holandês surgido no final dos anos 60, que gravou seu único álbum na Alemanha sob o selo ASP em 1970 – na verdade foi fabricado em Aachen, que fica na fronteira com a Holanda. Este excelente trabalho de rock psicodélico, cantando em inglês, tinha forte influência do Jefferson Airplane, tanto que também revezavam entre o vocal masculino e feminino, cheio de guitarra fuzz, e nos momentos mais tranqüilos enveredavam pelo folk e country west.

Em sua época, a banda foi comparada a outro grupo dos países baixos, o Shocking Blue, muito porque eram contemporâneos, chegando a serem referidos como uma “versão alemã” da banda, isto porque, pelo álbum ter sido lançado apenas na Alemanha, acreditavam se tratar de um grupo de lá.

Um fato curioso - e talvez único em se tratando de primeiro álbum de uma banda underground – é que uma parte dos lucros obtidos com as vendas do álbum seriam para ajudar pessoas portadoras de deficiências.

A formação era: Diana Leemhuis (vocal), Peter Blom (vocal e harmônica), John Theunissen (guitarra e banjo), John Snyder (bateria) e Theo Wetzels (baixo).

Confesso que quando ouço este único disco, Filthy, que nem saiu à época na Holanda, me entristece. Afinal, a banda caiu em total esquecimento e é um álbum tão bonito! Dois dos integrantes (John Theunisse e Theo Wetzeis) mais tarde se juntaram ao Pussycat, obtendo sucesso posteriormente, principalmente com a canção Mississippi, em 1975. Diana Leemhuis (na verdade chamava-se Greet Leemhuis) chegou a cantar como convidada, no The Jaguars e mesmo na década de 80 gravou um CD com Frank Duval – o baterista John Snijders (já falecido) também tocou no The Jaguars.


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Joe Peace – Finding Peace of Mind (1972)


Se garimpar, garimpar muito bem por aí, em algum sebo, quem sabe você acha esta preciosidade de Joe Peace. Porque o álbum é realmente muito raro. Para se ter uma idéia, apenas 300 cópias foram feitas à época e o LP consta no livro “1001 Record Collector Dreams”, de Hans Pokora, ou seja, aqueles discos que quando você dá de cara diz pra si mesmo: “puta que pariu!”

Joe Peace gravou este único álbum, depois só Deus mesmo para saber onde o sujeito foi parar... O que se sabe é que Joe cultivo bons anos de estrado antes de gravar Finding Peace of Mind em 1972. Influenciado tanto por Johnny Rivers quanto Buffalo Springfield, o trabalho segue a linha folk rock, bem ao gosto da época. Canções de repletas de fuzzbox (pedais que foram bem popularizados por Jimi Hendrix) e percussão. No entanto, há momentos mais tranqüilos como as canções It's Been So Long e Goobye.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Popol Vuh – A música dos Deuses (Parte II)


Com a década de 1990 o Popol Vuh surgiu com um trabalho mais acessível, “You and Me”. Muito próximo da Word music, transitando entre músicas da África, Irlanda, Himalaia e América do Sul. As faixas “Om Mani Padme Hum 1, 2, 3, 4”, cantadas por Renate Knaup, são os destaques do álbum, acompanhadas pelo piano de Florian. “You and Me” soa bastante moderno adaptando-se muito bem à nova geração, com sua produção limpa e suave, diferente do material anterior.

Como se sabe, Florian teve formação clássica (tocava piano desde criança) e como todo grande músico alemão, a música erudita também o influenciou. Portanto, em 1992, ele se enveredou pelo piano clássico gravando um álbum apenas com composições de Mozart, “Popol Vuh / Florian Fricke Plays Mozart”, de 1992. Embora conste o nome Popol Vuh no trabalho, Florian Fricke é o único músico.

Em 1992, tentando modernizar o som do Popol Vuh à tendência techno da época, Fricke convidou Guido Hieronymus para os teclados e guitarra. “Raga City”, talvez seja o trabalho mais fraco da imensa discografia da banda, soando muito parecido com trabalhos do Loop Guru, Deep Forest e Delerium. Ou seja, repleto de seqüenciadores, loops eletrônicos e drum machines. Ainda assim, há momentos agradáveis com a voz de Maya Rose. O mesmo pode-se dizer sobre o trabalho seguinte, “Symphony Shepherd” (1997), também seria o último com Guido Hieronymus.

Popol Vuh era um grupo que quase nunca se apresentava ao vivo, como Fricke não sentia que seria possível manter o nível de intensidade necessária para um concerto completo, ele preferia aproveitar seu tempo compondo e gravando álbuns. Portanto, “Messa di Orfeo” é o único gravado ao vivo. Originalmente lançado em 1999, durante uma apresentação no Labirinto de Molfetta, Bari, Itália. Menos eletrônico e mais agradável do que os anteriores, o álbum ainda traz Maya Rose novamente nos vocais e contando com Guillermina De Gennaro (recita as 5 strofas em italiano). Messa di Orfeo é um dos trabalhos mais suaves do Popol Vuh e o último de Florian Fricke em vida.

Na madrugada do dia 29 de dezembro de 2001, Florian Fricke faleceu calmamente na sua casa em Munique enquanto dormia, na sequência de um ataque de coração ocorrido dias antes. Ele tinha 57 anos.

Após a morte de Florian, houve uma enxurrada de coletâneas, nem sempre boas e de origem duvidosas. Alguns lançadas como se fossem originais, é o caso de “Future Sound Experience”, de 2002; um verdadeiro retalho. Há também compilações excelentes, principalmente para os amantes dos filmes de Herzog: “The Best Of Popol Vuh: Werner Herzog” e “Nicht Hoch Im Himmel’. Outro curioso lançamento é o recente “Popol Vuh: Revisited & Remixed (1970-999)”, CD duplo que traz um CD apenas de remixes de artistas modernos que nem sempre chegam perto do nível da banda homenageada. O CD 1, peca por não abranger totalmente a carreira deles, esquecendo de incluir muitas músicas relevantes.

Florian Fricke era a alma do Popol Vuh; a música era sua vida. Ele a via como uma forma de unir tradições musicais, conhecimento espiritual, para além de qualquer religião. Ele acreditava que as culturas deviam se encontrar umas com as outras no plano espiritual e a musica um guia para unificação do Ser. Portanto, sempre se preocupou em atingir a alma das pessoas por meio da música. Preocupou muito com aspectos de harmonia, ritmo e freqüência em sua obra. Fez pesquisa em seu tempo livre, estudando textos antigos de como a música poderia até ser usada para curar as pessoas.

Florian disse uma vez: “ouvimos tanto, que não ouvimos mais nada, e vemos tanto, que não vemos mais nada.”

Em outubro de 2003 Klaus Schulze escreveu: "Florian foi e continua sendo um precursor importante da música étnica e religiosa contemporânea. Ele escolheu a música eletrônica e seu grande Moog para libertar-se das restrições da música tradicional, mas logo descobriu que ele não conseguiria muito com isso e optou por um caminho mais acústico. Aqui, ele passou a criar um mundo novo, que Werner Herzog tanto amava, transformando os padrões de pensamento sobre música eletrônica para a linguagem da música étnica acústica”.